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Arrascaeta Herda a Camisa 10 do Flamengo: Uma Nova Era Após Anos de Peregrinação
Por Redação Flapress em 17/12/2024 10:10
A Camisa 10 do Flamengo: Uma História de Idas e Vindas
A emblemática camisa 10 do Flamengo terá um novo ocupante a partir de 2025. O clube anunciou que o talentoso Arrascaeta será o encarregado de vestir o número que se encontrava "guardado" desde maio, após a punição imposta a Gabigol. O uruguaio agora tem a responsabilidade de dar continuidade à história de craques que vestiram essa camisa, buscando o sucesso que não se vê desde a passagem de Petkovic, e trazer estabilidade a um número que passou por mais de 30 jogadores neste século.
O objetivo é claro: Arrascaeta busca se juntar a um seleto grupo de estrangeiros que brilharam com a camisa 10 do Flamengo , eternizada por Zico. A missão é reestabelecer o prestígio de um número que, nas últimas décadas, passou por diversas mãos sem encontrar um dono definitivo. A expectativa é que o uruguaio traga a magia e a consistência que a torcida tanto anseia.
Petkovic: O Primeiro 10 do Século XXI e o Gol Histórico
O primeiro a assumir a responsabilidade da camisa 10 no século XXI foi Petkovic. Contratado em um período de grande expectativa no clube, o sérvio não hesitou em vestir a camisa, mesmo com a pressão de suceder ícones como Pelé e Zico. "Alguém têm que vestir a camisa 10. Sei que depois de Pelé e Zico é difícil. Talvez devessem ter aposentado o número. Mas acham que eu sou um jogador que tem condições de usá-la. Vou usar."
Petkovic não só vestiu a camisa, como também a honrou. Em 2001, ele protagonizou um momento inesquecível ao marcar um gol de falta antológico contra o Vasco, garantindo o tricampeonato carioca para o Flamengo . Este gol, aos 43 minutos do segundo tempo, é lembrado até hoje como um dos mais importantes da história recente do clube.
Durante o período em que Petkovic não estava em campo, outros jogadores como Alexandre Gaúcho chegaram a usar a camisa 10. No entanto, com a chegada de Juninho Paulista, o status da camisa sofreu uma reviravolta. Juninho, inicialmente contratado para ser o camisa 10, acabou usando a camisa 8 nos primeiros meses, até a saída de Petkovic para o Vasco.
A Peregrinação da Camisa 10: De Juninho a Garotos da Base
A saída de Juninho para o Middlesbrough, da Inglaterra, marcou o início de uma verdadeira peregrinação da camisa 10. Diversos jogadores tiveram a oportunidade de vestir a mística camisa, incluindo jovens promessas da base como Wendel, Felipe Mello, Hugo e Andrezinho. Contudo, nenhum deles conseguiu se consolidar como o dono definitivo do número.
O técnico Lula Pereira chegou a testar alguns garotos da base na camisa 10, mas a instabilidade continuou. Após a demissão de Lula, Evaristo de Macedo entregou a camisa para Iranildo, que já havia usado o número no passado. Contudo, a solução não veio, e o Flamengo buscou um novo camisa 10 no mercado: Lopes, que teve uma passagem apagada pelo clube.
A busca por um dono para a camisa 10 parecia interminável, com diversas apostas que não se concretizaram. Caio Ribeiro, por exemplo, chegou a usar a camisa em um jogo-treino, mas rapidamente perdeu espaço. A situação refletia a dificuldade do Flamengo em encontrar um jogador que pudesse honrar a história do número.
Felipe e a Esperança de um Novo Dono
O Flamengo encontrou em Felipe, um ex-lateral-esquerdo que se tornou meio-campista, um novo dono para a camisa 10. Contratado junto ao Galatasaray, da Turquia, Felipe teve um bom desempenho no clube entre 2003 e 2004, sendo o destaque da campanha do título carioca de 2004. Sua liderança e talento trouxeram esperança aos torcedores.
Apesar do sucesso de Felipe, outros jogadores chegaram a usar a camisa 10 em suas ausências, como Igor Cearense e Yan, e até mesmo Jônatas. A saída de Felipe no final de 2004, no entanto, deu início a mais uma fase de instabilidade e busca por um novo líder.
Em 2005, o meia Caio retornou ao clube, mas não conseguiu repetir o sucesso de sua primeira passagem. Com a saída do técnico Cuca, ele perdeu espaço e a camisa passou para Fellype Gabriel. A diretoria fez mais uma investida internacional, contratando Souza, que também não conseguiu se firmar.
Renato Augusto: Cria da Base Assume a Responsabilidade
Após diversas tentativas frustradas no mercado, foi a vez de um cria da Gávea assumir a camisa 10: Renato Augusto. O meia vestiu o número na conquista da Copa do Brasil de 2006 e manteve a camisa até ser vendido para o Bayer Leverkusen, da Alemanha. Durante esse período, Marcinho chegou a usar a 10 em um jogo.
A saída de Renato Augusto abriu espaço para o argentino Sambueza, que se tornou uma grande decepção. Em 2009, o Flamengo apostou em Zé Roberto, que não conseguiu se firmar com a camisa 10 e terminou o ano com o número 26. A camisa, mais uma vez, estava sem dono.
A chegada de Adriano, o "Imperador", trouxe um novo capítulo para a história da camisa 10. Após rescindir com a Inter de Milão, Adriano voltou ao Flamengo e assumiu a camisa, levando o clube ao título brasileiro de 2009. Após sua saída para a Roma, Petkovic voltou a vestir a camisa até o final daquela temporada.
Ronaldinho Gaúcho e a Nova Peregrinação
Em 2011, o Flamengo contratou Ronaldinho Gaúcho, que empolgou a torcida, mas não conseguiu repetir o sucesso de sua carreira. Após sua saída conturbada em 2012, a camisa 10 ficou novamente sem dono. O clube tentou Carlos Eduardo, mas a negociação demorou e o jovem Nixon chegou a usar a camisa, seguido por Rodolfo.
Carlos Eduardo não correspondeu às expectativas e a camisa 10 passou por Gabriel, um dos jogadores mais criticados daquele elenco. Em 2014, o clube contratou o argentino Lucas Mugni, que também não conseguiu se firmar. A camisa continuava a peregrinar.
A camisa 10 voltou a ter um dono fixo em 2015, com a chegada de Ederson. Ele defendeu o clube por duas temporadas, mas não deixou saudades, sofrendo com questões físicas e clínicas. A busca por um camisa 10 que fizesse jus à história do clube continuava.
Diego Ribas e a Estabilidade Temporária
O sonho da diretoria se concretizou em 2016, com a chegada de Diego Ribas. Inicialmente usando a camisa 35, Diego assumiu a camisa 10 nos torneios da Conmebol em 2017 e de forma fixa a partir de 2018, mantendo-a até o final de 2022. Sua passagem trouxe estabilidade a um número que há muito tempo não tinha um dono definitivo.
Agora, com Arrascaeta , a torcida espera que a camisa encontre um novo dono que possa honrar a história do Flamengo e trazer novas conquistas. O uruguaio tem a missão de apagar a memória da instabilidade e trazer um novo capítulo de glórias ao clube.

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