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Flamengo e a Estratégia Flexível de Filipe Luís: Um Novo Paradigma Tático?
Por Redação Flapress em 24/02/2025 19:50
A Estratégia Rotativa de Filipe Luís: Uma Nova Era no Flamengo?
Com a Taça Guanabara encerrada, emerge um questionamento crucial: o Flamengo sob a batuta de Filipe Luís já possui uma espinha dorsal definida, ou o leque de opções permanece em aberto? Para elucidar essa questão, o ge consultou renomados comentaristas do Grupo Globo, buscando suas perspectivas sobre a estratégia implementada e suas implicações para o futuro do time.
O planejamento do Flamengo para a temporada de 2025 delineou uma pré-temporada estendida, incorporada ao Campeonato Carioca. Filipe Luís aproveitou essa conjuntura para promover uma extensa rotação no elenco durante a Taça Guanabara. Ao longo das sete rodadas desde o retorno do grupo principal dos Estados Unidos, o técnico utilizou um total de 28 jogadores, o que equivale a quase três formações distintas.
É importante ressaltar que esses dados excluem as quatro primeiras rodadas, nas quais o time foi composto predominantemente por jovens talentos da base, sob a direção do técnico Cléber dos Santos. Filipe Luís assumiu o comando na quinta rodada, contra o Volta Redonda, e desde então acumulou seis vitórias e um empate. Um fato notável é que o treinador ainda não repetiu a escalação no campeonato estadual.
Análise Tática: A Visão dos Especialistas
Carlos Eduardo Mansur, renomado comentarista, levanta uma questão intrigante: "Não tem (time titular). E talvez não venha a ter. Acho que como qualquer time vai chegar ao longo da temporada uma formação que a gente consiga acertar oito, nove jogadores. Mas acho muito possível que o trabalho dele nos conduza a ter sempre lacunas. Eu acho que o trabalho é estratégico em cima do adversário. Vou dar dois exemplos."
Mansur prossegue, exemplificando a flexibilidade tática no meio-campo: "Na segunda posição do meio, ele enxerga o Allan, De la Cruz e Gerson com características diferentes. O Gerson dá um pouco mais de pausa na construção. O De la Cruz conduz bola e dá passe vertical, ele apressa mais o jogo. Ainda tem o Evertton Araújo que dá uma segurança para jogar com os laterais mais soltos. Eu acho que isso muda. E o outro exemplo é o lado direito do ataque. Muitas vezes é o Gerson , mas o bom rendimento do Plata, vindo da direita para dentro, está permitindo que o Filipe pense em usar o Gerson como o segundo homem de meio. Vai ter jogos que ele vai querer ter o Gerson mais atrás ou não, por exemplo."
O comentarista ainda pondera sobre a zaga: "Eu não descarto que ele vá alterando jogo a jogo. Sem falar na zaga. Hoje eu tenho a sensação que a opção 1 é Danilo e Léo Ortiz, pela qualidade técnica na saída de bola. Mas nada impede que tenha jogos que ele ache que vai precisar defender mais e queira ter o Léo Pereira. Essa é outra possibilidade. Não tenho nenhuma dúvida de que o Danilo e Ortiz são um nível acima."
A Rotação como Estratégia: Adaptação e Versatilidade
Rodrigo Coutinho, outro analista de destaque, corrobora a visão de Mansur: "Não tem um time titular. E não vai ter. É difícil falar que é uma característica do Filipe Luís porque ele é um treinador de poucos jogos como treinador profissional. Mas uma coisa que eu interpreto é que ele não tem time titular base, ele tem um grupo de jogadores que vai se revezando. Isso não é atrelado a parte física dos jogadores, está atrelado a estratégia dos adversários. É isso que ele fala e que a gente vê na prática. Eu acho que a torcida tem que se adaptar a isso."
Coutinho enfatiza a necessidade de adaptação por parte da torcida: "Não vai ter time titular do um ao 11. Eu penso que esse time não vai ter isso. É muita variação do meio para frente. Gerson faz duas, três funções diferentes. Plata e Bruno Henrique jogam por dentro e por fora. Tem Cebolinha, Luiz Araújo ... Não tem time titular , mas tem um grupo de uns 16 jogadores que se revezam na equipe e que são escalados de acordo com o momento deles e principalmente com a estratégia para enfrentar o adversário."
O comentarista conclui, ilustrando a adaptabilidade do elenco : "Se precisar de um atacante que brigue com os zagueiros, o Juninho vai jogar. Se precisar de um ponta pela direita que seja mais meia e circule para dentro, o Gerson vai jogar. Se precisar que seja mais agudo, tem o Plata e o Luiz Araújo ... E por aí vai."
Números da Rotação: Quem se Destacou na Taça Guanabara?
A análise dos números revela a extensão da rotação promovida por Filipe Luís . Foram sete escalações diferentes e 28 jogadores utilizados, entre titulares e reservas. Allan se destaca como o atleta com maior número de participações, presente em todos os jogos. Arrascaeta, Cebolinha e Luiz Araújo figuram logo em seguida, com seis partidas cada.
A base também teve espaço, com Filipe Luís relacionando alguns jovens talentos. Shola, Pablo Lúcio, Guilherme, João Victor e Wallace Yan foram os representantes da base que tiveram a oportunidade de atuar. Dentre eles, o zagueiro Wallace Yan foi o único a receber uma chance como titular, atuando ao lado de Cleiton na vitória do time reserva sobre o Sampaio Corrêa.
Atletas utilizados por Filipe Luís no Carioca:
- Allan 7
- Arrascaeta 6
- Cebolinha 6
- Luiz Araújo 6
- Léo Ortiz 5
- Pulgar 5
- Bruno Henrique 5
- Juninho 5
- Varela 5
- Evertton Araújo 5
- Wesley 4
- Léo Pereira 4
- Gerson 4
- Plata 4
- Michael 4
- Ayrton Lucas 4
- Matheus Gonçalves 4
- Danilo 4
- Wallace Yan 3
- Alex Sandro 2
- De la Cruz 2
- João Victor 2
- Cleiton 2
- Daniel Sales 2
- Guilherme Gomes 2
- Alcaraz 1
- Pablo Lúcio 1
- Shola 1
Fonte: Espião Estatístico
Com o encerramento da Taça Guanabara, o Flamengo conclui sua fase de "pré-temporada" e se prepara para a fase final do Carioca, com a expectativa de utilizar sua força máxima. A estratégia de Filipe Luís , pautada na rotação e adaptação tática, promete ser um diferencial na busca por títulos e na construção de um time versátil e competitivo.

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